A CMPC obteve a Licença Prévia (LP) para o Projeto Natureza, empreendimento estimado em R$ 27 bilhões que prevê a construção de uma nova fábrica de celulose em Barra do Ribeiro, no Rio Grande do Sul. A autorização, concedida pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) em 22 de outubro de 2026 e entregue oficialmente no dia 23, representa um avanço no maior investimento privado anunciado na história do estado. A unidade terá capacidade projetada de 3 milhões de toneladas anuais de celulose branqueada de eucalipto, mas ainda depende de novas autorizações ambientais antes do início das obras. Fundação Estadual de Proteção Ambiental+1
Resumo da notícia: principais pontos de atenção
- Investimento estimado: R$ 27 bilhões no Projeto Natureza.
- Localização: Barra do Ribeiro, no Rio Grande do Sul.
- Produção projetada: 3 milhões de toneladas anuais de celulose branqueada de eucalipto.
- Empregos: até 12 mil trabalhadores mobilizados no pico das obras e previsão de 800 empregos diretos e 1.500 postos permanentes de terceiros na operação.
- Infraestrutura logística: terminal próprio planejado para o Porto do Rio Grande, com investimento estimado em R$ 1,5 bilhão.
- Próxima etapa: obtenção da Licença de Instalação (LI), necessária para iniciar as obras autorizadas.
Os números de produção, investimento e empregos são projeções divulgadas para o empreendimento, não resultados já concretizados.
Projeto Natureza amplia a estratégia industrial da CMPC no Brasil
A proposta da companhia chilena CMPC vai além da construção de uma nova unidade fabril. O Projeto Natureza foi concebido como um complexo industrial e logístico, envolvendo produção de celulose, abastecimento de madeira, geração de energia e estruturas destinadas ao transporte e à exportação.
A escolha de Barra do Ribeiro coloca o empreendimento em uma região estratégica para a expansão da atividade florestal e industrial no Rio Grande do Sul. A fábrica existente da empresa em Guaíba deverá continuar funcionando, enquanto a nova instalação ampliará a capacidade produtiva da companhia no estado.
O investimento estimado em R$ 27 bilhões demonstra a dimensão econômica do projeto. Entretanto, é importante distinguir o valor global anunciado dos recursos efetivamente aplicados: o montante representa o investimento previsto para a implantação do empreendimento, e não um desembolso já realizado integralmente.
A estrutura também exigirá uma cadeia de abastecimento capaz de manter o fornecimento contínuo de madeira e insumos químicos. Em uma indústria de celulose desse porte, a regularidade da matéria-prima, a disponibilidade de energia, a manutenção dos equipamentos e a eficiência logística são fatores diretamente relacionados à produtividade e aos custos operacionais.
Nova fábrica da CMPC terá capacidade de 3 milhões de toneladas por ano
De acordo com os dados divulgados pela Fepam, a unidade de Barra do Ribeiro foi projetada para produzir 3 milhões de toneladas anuais de celulose branqueada de eucalipto, utilizando o processo industrial Kraft.
Essa capacidade coloca o empreendimento entre os projetos de grande escala do setor de celulose. A produção será destinada ao mercado consumidor, incluindo operações de exportação, embora os volumes efetivamente produzidos dependam da conclusão da fábrica e de sua entrada em funcionamento.
Como funciona o processo Kraft
O processo Kraft é uma tecnologia amplamente utilizada pela indústria de celulose para separar as fibras de celulose dos demais componentes da madeira.
Na etapa de cozimento, cavacos de madeira são submetidos à ação de produtos químicos em condições controladas de temperatura e pressão. O objetivo é dissolver parte dos componentes que mantêm as fibras unidas, permitindo a obtenção da polpa celulósica.
Um elemento importante desse processo é o licor negro, subproduto que concentra matéria orgânica dissolvida e produtos químicos utilizados na fabricação. Nas caldeiras de recuperação, sua queima permite gerar energia térmica e recuperar produtos químicos que retornam ao processo industrial.
Segundo a Fepam, a previsão é que a geração energética da nova fábrica seja suficiente para atender às necessidades da própria unidade, com possibilidade de comercialização do excedente na rede elétrica nacional.
O projeto também prevê o aproveitamento de lodos e outros subprodutos para a fabricação de fertilizantes comerciais, além da manutenção de um cinturão verde no entorno da instalação industrial.
Essas medidas integram o planejamento apresentado para o empreendimento. Sua efetiva implementação e os resultados ambientais deverão ser avaliados ao longo das próximas etapas de licenciamento e operação.
Licenciamento ambiental: o que falta para começar a construção
A concessão da Licença Prévia representa uma etapa importante, mas não significa que a fábrica esteja autorizada a iniciar sua construção.
No sistema brasileiro de licenciamento ambiental, as autorizações são concedidas conforme o estágio de desenvolvimento do empreendimento. Cada fase possui objetivos e exigências próprios.
No caso do Projeto Natureza, as principais etapas são:
- Licença Prévia (LP): avalia a viabilidade ambiental do empreendimento na localização proposta e estabelece condicionantes para as próximas fases.
- Licença de Instalação (LI): permite iniciar as obras autorizadas, após a aprovação dos projetos e das medidas de controle ambiental exigidas.
- Licença de Operação (LO): autoriza o funcionamento da atividade após a verificação das condições e exigências aplicáveis.
Com a LP concedida, a CMPC poderá avançar na elaboração dos projetos executivos e da documentação necessária para solicitar a Licença de Instalação.
A análise da Fepam será determinante para a continuidade do empreendimento. Até a emissão da LI, não existe autorização para começar as obras correspondentes.
Também será necessário acompanhar o cumprimento das condicionantes ambientais estabelecidas no documento, que deverão orientar a implantação das estruturas industriais e logísticas.
Participação da sociedade integrou a avaliação ambiental
O licenciamento contou com a apresentação dos estudos ambientais e a participação da população.
Segundo informações do governo estadual, a audiência pública sobre o Projeto Natureza ocorreu em 29 de janeiro de 2026, em Barra do Ribeiro. O encontro apresentou o Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima), permitindo o registro de questionamentos e contribuições.
A divulgação oficial informou a participação de 1.178 pessoas presencialmente e 1.376 visualizações da transmissão pela internet. O período para recebimento de manifestações também foi ampliado, chegando a 60 dias.
A participação pública integra o processo de avaliação, mas não substitui a análise técnica do órgão ambiental nem significa que todas as manifestações tenham sido incorporadas sem alterações ao projeto. Secretaria de Desenvolvimento Econômico+1
Entre os aspectos que merecem acompanhamento estão o abastecimento de madeira, o transporte de insumos, a movimentação de cargas, o uso de recursos naturais e a implementação das medidas de controle e compensação ambiental.
A Fepam informou ainda a previsão de compensação ambiental equivalente a 0,5% do valor de referência do empreendimento, conforme os critérios aplicáveis do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC). Secretaria de Desenvolvimento Econômico
Terminal portuário de R$ 1,5 bilhão integra o projeto industrial
A estrutura logística é um dos componentes mais importantes do Projeto Natureza. Além da fábrica em Barra do Ribeiro, o planejamento contempla um terminal próprio no Porto do Rio Grande, com investimento estimado em R$ 1,5 bilhão.
A instalação deverá apoiar o abastecimento industrial e o escoamento da produção, incluindo o recebimento de madeira e a exportação de celulose por barcaças.
O projeto prevê integração entre transporte terrestre e hidroviário. A madeira e os insumos químicos precisarão chegar regularmente à fábrica, enquanto a celulose produzida deverá ser direcionada aos mercados consumidores.
Essa organização exige planejamento de capacidade, sincronização de operações, disponibilidade de equipamentos e coordenação entre os diferentes modais de transporte.
Por que a logística é estratégica para a indústria de celulose
Uma fábrica projetada para produzir 3 milhões de toneladas anuais precisa de uma estrutura de transporte compatível com volumes elevados e fluxo contínuo de mercadorias.
A eficiência logística interfere diretamente em diferentes aspectos da operação:
- Abastecimento: disponibilidade de madeira e produtos químicos para manter a produção.
- Movimentação de cargas: organização do transporte entre fornecedores, fábrica e terminais.
- Armazenagem: capacidade de manter estoques compatíveis com a programação industrial.
- Exportação: integração entre produção, transporte hidroviário e operações portuárias.
- Custos operacionais: controle dos gastos com movimentação, transporte e distribuição.
A conexão com o Porto do Rio Grande poderá ampliar a participação da infraestrutura hidroviária na cadeia de exportação da companhia. Entretanto, os benefícios efetivos dependerão da construção do terminal, de sua capacidade operacional e da integração com as demais estruturas previstas.
O investimento portuário, portanto, não deve ser analisado isoladamente. Ele faz parte de um sistema que precisa funcionar de maneira coordenada para garantir competitividade à produção industrial. Fundação Estadual de Proteção Ambiental+1
Empregos e oportunidades para fornecedores industriais
A dimensão do empreendimento também chama atenção pelo potencial de movimentação do mercado de trabalho.
As projeções divulgadas pela Fepam indicam que a fase de implantação poderá mobilizar até 12 mil trabalhadores no pico das obras. Para a operação, estão previstos aproximadamente 800 empregos diretos e 1.500 postos permanentes de terceiros.
É importante separar esses números. A mobilização durante a construção representa uma demanda temporária de mão de obra, enquanto os postos previstos para a operação estão relacionados à manutenção e ao funcionamento contínuo da unidade industrial.
A implantação poderá envolver diferentes especialidades, desde construção pesada até montagem de equipamentos e sistemas de automação.
Entre as áreas que poderão acompanhar o desenvolvimento do projeto estão:
- Construção industrial: estruturas metálicas, concreto, fundações e instalações.
- Montagem eletromecânica: tubulações, equipamentos, motores, bombas e sistemas industriais.
- Manutenção: mecânica, elétrica, instrumentação e confiabilidade.
- Automação industrial: instrumentação de processos, sistemas de controle e supervisão.
- Operações industriais: produção de celulose, utilidades e geração de energia.
- Logística: transporte, armazenagem e movimentação de materiais.
- Serviços especializados: engenharia, inspeção, segurança do trabalho e controle de qualidade.
Para as empresas fornecedoras, a implantação poderá abrir oportunidades em contratos de engenharia, fabricação de componentes, montagem, manutenção e serviços técnicos.
Entretanto, a existência de um grande investimento não significa que todos os fornecedores locais serão automaticamente contratados. A participação dependerá dos processos de aquisição, dos requisitos técnicos, da competitividade comercial e da capacidade de atendimento das empresas interessadas.
Qualificação profissional poderá influenciar a participação regional
Projetos industriais de grande porte exigem profissionais com formação compatível com as características dos equipamentos e dos processos produtivos.
A preparação da mão de obra poderá envolver instituições de ensino técnico, empresas especializadas e programas de capacitação profissional.
Para trabalhadores da região, acompanhar as etapas de implantação e as futuras divulgações de recrutamento será importante para identificar oportunidades reais.
As projeções de emprego, contudo, não representam vagas abertas neste momento. A contratação dependerá do cronograma, das empresas responsáveis pelos contratos e das necessidades de cada etapa.
O que o investimento poderá representar para a economia gaúcha
O Projeto Natureza poderá estimular atividades econômicas que ultrapassam os limites físicos da fábrica.
Além da indústria de celulose, o empreendimento envolve setores como construção civil, metalmecânica, transporte, energia, engenharia, manutenção e serviços especializados.
A contratação de fornecedores também poderá movimentar empresas de diferentes portes, especialmente aquelas capazes de atender às exigências técnicas de grandes projetos industriais.
Um aspecto importante será identificar quanto dessa demanda poderá ser absorvido por empresas instaladas no próprio Rio Grande do Sul.
O volume de recursos anunciado, por si só, não determina a distribuição regional dos benefícios. A participação de fornecedores locais, a contratação de trabalhadores da região e a execução dos investimentos complementares serão indicadores relevantes para avaliar os efeitos econômicos do projeto.
A manutenção da unidade de Guaíba, paralelamente à construção planejada em Barra do Ribeiro, também demonstra que a estratégia da CMPC prevê continuidade de sua presença industrial no estado.
Para acompanhar outros investimentos industriais de grande porte no país, o Panorama Industrial também publicou uma reportagem sobre a expansão da fábrica da BYD em Camaçari, com investimento anunciado de R$ 11,3 bilhões.
Próximas etapas: o que acompanhar no Projeto Natureza
A Licença Prévia permite avançar no planejamento, mas ainda existem decisões importantes antes da construção e da futura operação industrial.
Os principais pontos de acompanhamento são:
| Etapa | O que observar |
|---|---|
| Licença de Instalação | Aprovação ambiental necessária para iniciar as obras autorizadas |
| Projetos executivos | Detalhamento das instalações e dos sistemas industriais |
| Cronograma | Definição das etapas de construção e montagem |
| Fornecedores | Contratação de empresas e serviços especializados |
| Empregos | Divulgação de processos seletivos e requisitos profissionais |
| Terminal portuário | Evolução da estrutura logística no Porto do Rio Grande |
| Condicionantes ambientais | Cumprimento das exigências estabelecidas pela Fepam |
Outro indicador importante será a evolução dos investimentos efetivamente executados. O acompanhamento dos desembolsos, dos contratos e das etapas concluídas permitirá avaliar a transformação do anúncio empresarial em infraestrutura industrial concreta.
Também será necessário observar a evolução das medidas ambientais, especialmente aquelas relacionadas ao abastecimento de matéria-prima, à movimentação de cargas e ao controle dos impactos da atividade.
Perguntas frequentes sobre o Projeto Natureza da CMPC
Onde será construída a nova fábrica da CMPC?
A unidade está prevista para Barra do Ribeiro, no Rio Grande do Sul. A fábrica que a companhia já mantém em Guaíba deverá continuar operando.
Qual é o investimento previsto para o empreendimento?
O investimento global estimado é de R$ 27 bilhões. O projeto também contempla um terminal próprio no Porto do Rio Grande, com investimento estimado em R$ 1,5 bilhão.
Qual será a capacidade de produção da fábrica?
A capacidade projetada é de 3 milhões de toneladas anuais de celulose branqueada de eucalipto, utilizando o processo industrial Kraft.
A Licença Prévia já permite começar as obras?
Não. A Licença Prévia atesta a viabilidade ambiental na fase de planejamento e estabelece condicionantes. A construção depende da obtenção da Licença de Instalação.
Projeto Natureza avança no licenciamento, mas execução ainda depende de novas etapas
A concessão da Licença Prévia representa um avanço importante para o Projeto Natureza e mantém em perspectiva um investimento estimado em R$ 27 bilhões para o Rio Grande do Sul.
A capacidade produtiva projetada, a infraestrutura portuária e a demanda potencial por serviços industriais colocam o empreendimento entre os projetos de maior dimensão anunciados para o setor de celulose no país.
Entretanto, a próxima etapa será decisiva. A obtenção da Licença de Instalação, o cumprimento das condicionantes ambientais e a definição do cronograma de construção determinarão quando a implantação poderá efetivamente começar.
Para fornecedores, trabalhadores e empresas da cadeia industrial, acompanhar essas decisões será fundamental para identificar oportunidades concretas. Para a população e os municípios envolvidos, também será importante observar como os investimentos, os empregos e os compromissos ambientais serão transformados em resultados ao longo da implantação.
A dimensão do projeto já está definida em suas linhas gerais. Seu impacto econômico, industrial e regional, porém, dependerá da execução efetiva de cada etapa.
Fontes e referências
1. Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) — Fepam entrega Licença Prévia para o Projeto Natureza, da CMPC, em Barra do Ribeiro. Publicado em 23 de outubro de 2026. Fonte oficial para investimento, capacidade produtiva, empregos, terminal portuário e licenciamento ambiental.
Consultar publicação oficial da Fepam.
2. Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Rio Grande do Sul — Governo do Estado entrega Licença Prévia para o Projeto Natureza, da CMPC, em Barra do Ribeiro. Publicado em 23 de outubro de 2026. Fonte complementar sobre participação pública, audiência ambiental e compensação.
Consultar publicação do governo estadual.
3. Jornal do Comércio — Fepam concede licença prévia para megaprojeto de R$ 27 bilhões da CMPC no RS. Publicado em 22 de outubro de 2026. Cobertura jornalística complementar sobre a concessão da licença.
Consultar reportagem do Jornal do Comércio.
4. GZH — Com licença prévia emitida, o que falta para a CMPC começar as obras da fábrica no RS? Publicado em 22 de outubro de 2026. Contextualização sobre as próximas etapas do licenciamento.
Consultar reportagem da GZH.
