O Bradesco registrou lucro líquido recorrente de R$ 7,109 bilhões no terceiro trimestre de 2026, crescimento de 14,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar da evolução positiva, o balanço divulgado em 22 de outubro revela um desafio para a recuperação do banco: as despesas com provisões para perdas de crédito avançaram mais rapidamente do que a margem financeira, enquanto a inadimplência continuou aumentando.
Entre julho e setembro, o resultado cresceu apenas 0,8% em relação ao segundo trimestre. No mesmo período, as provisões para perdas de crédito, medidas pela PDD expandida, chegaram a R$ 10,6 bilhões, alta anual de 24,3%. Já o índice de inadimplência das operações com atraso superior a 90 dias alcançou 4,6%, ante 4,1% um ano antes.
Os indicadores mostram uma instituição que continua ampliando suas operações e recuperando a rentabilidade, mas precisa administrar com maior rigor o risco associado aos empréstimos. O desempenho do crédito, especialmente entre micro, pequenas e médias empresas, tornou-se um dos principais pontos de atenção para os próximos resultados.
Resumo da notícia: principais pontos de atenção
- Lucro recorrente: R$ 7,109 bilhões, alta de 14,6% em 12 meses.
- Provisões de crédito: R$ 10,6 bilhões, crescimento anual de 24,3%.
- Inadimplência: 4,6% nas operações com atraso superior a 90 dias.
- Carteira de crédito ampliada: R$ 1,15 trilhão, expansão anual de 11,1%.
- Rentabilidade: ROAE de 15,6%, considerando o aumento de capital realizado no período.
- Recompra de ações: programa renovado, com autorização para novas aquisições durante 18 meses.
Lucro do Bradesco cresce, mas avanço trimestral é limitado
A evolução do resultado apresenta duas perspectivas diferentes. Na comparação anual, o crescimento de 14,6% demonstra que o banco conseguiu ampliar sua capacidade de geração de lucro em relação ao terceiro trimestre de 2025. Entretanto, a expansão de apenas 0,8% diante do trimestre imediatamente anterior indica uma desaceleração no ritmo de crescimento.
O lucro líquido recorrente é uma medida utilizada para acompanhar o desempenho habitual das operações, excluindo determinados efeitos considerados não recorrentes. Embora seja um indicador importante, sua análise precisa considerar também a composição das receitas, os custos operacionais, as despesas com provisões e a rentabilidade do patrimônio.
O resultado ficou próximo das expectativas dos analistas. Segundo a Reuters, as estimativas compiladas pela LSEG apontavam lucro de aproximadamente R$ 7,14 bilhões, enquanto o banco efetivamente registrou R$ 7,109 bilhões.
A diferença reduzida mostra que o desempenho ficou praticamente em linha com as projeções do mercado. Ainda assim, a composição do resultado merece atenção, especialmente porque o crescimento das despesas relacionadas ao risco de crédito superou a expansão de outras linhas importantes do balanço.
Provisões de crédito avançam mais rapidamente que a margem financeira
O aumento do custo do risco de crédito é um dos principais desafios apresentados pelo balanço.
Um dos dados mais relevantes do trimestre está na evolução da Provisão para Devedores Duvidosos (PDD), indicador que representa o reconhecimento contábil das perdas esperadas nas operações de crédito.
No terceiro trimestre de 2026, a PDD expandida alcançou aproximadamente R$ 10,6 bilhões, crescimento de 24,3% em relação ao mesmo período de 2025 e de 6,6% na comparação com o segundo trimestre.
A margem financeira total, que reflete principalmente os resultados das operações financeiras e de crédito, chegou a aproximadamente R$ 21,37 bilhões, com expansão anual de 14,2% e trimestral de 2,4%.
A diferença entre esses indicadores merece atenção: enquanto a margem financeira cresceu 14,2% em um ano, as despesas com provisões avançaram 24,3%.
Isso significa que uma parcela maior dos resultados precisa absorver os custos associados ao risco de inadimplência. Mesmo quando as receitas aumentam, a necessidade de reconhecer perdas esperadas pode limitar o crescimento do lucro e dificultar a recuperação da rentabilidade.
O que são provisões para perdas de crédito?
As provisões são registros contábeis destinados a reconhecer perdas esperadas em empréstimos e financiamentos. Quando uma instituição identifica maior probabilidade de que determinados clientes não cumpram integralmente suas obrigações, precisa considerar esse risco em seus resultados.
É importante distinguir provisão de prejuízo definitivamente realizado. Os R$ 10,6 bilhões registrados não significam que todo esse montante tenha sido perdido. Parte das operações poderá ser regularizada, renegociada ou recuperada, dependendo das condições de pagamento e das garantias disponíveis.
O indicador funciona, portanto, como uma medida do risco que o banco espera enfrentar em sua carteira de crédito.
Indicadores financeiros do Bradesco no terceiro trimestre
Os números do balanço permitem comparar a evolução dos resultados e identificar onde estão as principais pressões sobre a instituição.
| Indicador | Resultado no 3T26 | Variação anual |
|---|---|---|
| Lucro líquido recorrente | R$ 7,109 bi | +14,6% |
| Margem financeira total | R$ 21,372 bi | +14,2% |
| PDD expandida | R$ 10,642 bi | +24,3% |
| Carteira de crédito ampliada | R$ 1,150 tri | +11,1% |
| Inadimplência acima de 90 dias | 4,6% | +0,5 p.p. |
| Índice de eficiência operacional | 45,4% | -4,7 p.p. |
Fonte: relatório de análise econômica e financeira do Bradesco, referente ao 3T26. Valores arredondados quando aplicável. A variação da inadimplência é expressa em pontos percentuais.
Um dado adicional ajuda a compreender a pressão sobre os resultados: a margem financeira líquida, calculada após as despesas de PDD, foi de R$ 10,730 bilhões, queda de 1,4% em relação ao segundo trimestre e crescimento de 5,7% na comparação anual.
Esse comportamento é importante porque demonstra que o avanço da margem financeira total não se converteu integralmente em crescimento da margem após o reconhecimento do custo do crédito.
Inadimplência aumenta entre pequenas e médias empresas
A inadimplência acima de 90 dias passou de 4,1% no terceiro trimestre de 2025 para 4,6% no mesmo período de 2026. Na comparação com o segundo trimestre deste ano, quando estava em 4,3%, houve elevação de 0,3 ponto percentual.
De acordo com o relatório do próprio Bradesco, a pressão veio principalmente das operações destinadas às micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), especialmente nas linhas de capital de giro com garantias de fundos ligados ao governo federal.
O banco informou que os atrasos nessas modalidades responderam por aproximadamente metade da evolução da inadimplência total. Também identificou atrasos sazonais em operações do Banco John Deere, que influenciaram os indicadores de pessoas físicas.
Por que o capital de giro merece atenção?
O capital de giro corresponde aos recursos utilizados para manter o funcionamento cotidiano de uma empresa. É o dinheiro necessário para pagar fornecedores, salários, despesas operacionais e financiar estoques enquanto as receitas das vendas não entram no caixa.
Quando os custos financeiros aumentam e o faturamento não acompanha essa evolução, a capacidade de pagamento pode ficar comprometida. Pequenos negócios, que frequentemente possuem reservas financeiras mais limitadas, podem enfrentar dificuldades adicionais para administrar o fluxo de caixa.
Para os bancos, a deterioração desse segmento pode exigir maior reconhecimento de perdas esperadas, revisão dos critérios de concessão e acompanhamento mais rigoroso dos clientes.
O Bradesco também informou que está ajustando modelos de crédito, preços e exposição a grupos de clientes considerados mais voláteis. A estratégia procura equilibrar a expansão dos empréstimos com uma seleção mais criteriosa dos riscos assumidos.
É importante ressaltar que os indicadores não demonstram uma deterioração uniforme de todas as pequenas empresas. A pressão identificada está concentrada em determinadas modalidades de financiamento.
Carteira de crédito alcança R$ 1,15 trilhão
Mesmo diante do aumento dos atrasos, o Bradesco continuou ampliando suas operações de financiamento.
A carteira de crédito ampliada chegou a R$ 1,15 trilhão no encerramento de setembro de 2026, crescimento de 11,1% em 12 meses e de 1,1% em relação ao final de junho.
A expansão ocorreu tanto nas operações com pessoas físicas quanto nas destinadas às empresas. Na comparação anual, os empréstimos para pessoas jurídicas cresceram 14,1%, enquanto a carteira de pessoas físicas avançou 7,4%.
Outro aspecto relevante é a composição das operações. Segundo os dados divulgados pelo banco, houve aumento da participação de linhas com garantias, incluindo crédito imobiliário, financiamento de veículos, avais e fianças.
Como as garantias influenciam o risco bancário?
As garantias são mecanismos que oferecem proteção adicional ao credor caso o tomador não cumpra suas obrigações financeiras.
Em um financiamento imobiliário, por exemplo, o próprio imóvel pode funcionar como garantia. Em outras modalidades, podem ser utilizados veículos, recebíveis, aplicações financeiras ou instrumentos de garantia institucional.
Esses mecanismos podem reduzir as perdas em caso de inadimplência, mas não eliminam o risco. A recuperação dos recursos depende das condições contratuais, da qualidade da garantia, de seu valor e dos procedimentos necessários para sua execução.
Por isso, ampliar a participação de operações garantidas não significa que a carteira esteja livre de problemas. A evolução da inadimplência demonstra que a qualidade dos empréstimos continua sendo um indicador essencial para avaliar a saúde financeira do banco.
Rentabilidade melhora em um ano, mas exige atenção
O retorno sobre o patrimônio líquido médio, conhecido como ROAE, é outro indicador importante para avaliar a recuperação do Bradesco.
No terceiro trimestre, o indicador ficou em 15,6%, considerando o efeito do aumento de capital de R$ 10 bilhões concluído durante o período. No terceiro trimestre de 2025, havia registrado 14,7%, enquanto no segundo trimestre de 2026 estava em 16,2%.
Desconsiderando o efeito do aumento de capital, o ROAE do terceiro trimestre seria de 16,1%, conforme a apresentação de resultados.
A diferença ocorre porque o indicador relaciona o lucro ao patrimônio utilizado nas operações. Quando a instituição amplia sua base de capital, o denominador dessa relação aumenta e pode reduzir o percentual de rentabilidade, mesmo que o lucro permaneça em crescimento.
O reforço de capital também melhora a capacidade de absorver perdas e sustentar as atividades financeiras.
Para avaliar a evolução do banco, portanto, é importante distinguir a rentabilidade calculada com o capital efetivamente incorporado daquela utilizada para uma comparação ajustada.
Seguros e controle de despesas sustentam o resultado
A recuperação dos resultados não depende exclusivamente das operações tradicionais de empréstimos e financiamentos.
As receitas de serviços, as atividades de tesouraria, o banco de investimentos e o segmento de seguros também contribuem para a diversificação das fontes de resultado.
No terceiro trimestre, as despesas operacionais recuaram 1% em relação ao mesmo período de 2025. O índice de eficiência operacional caiu de 50,1% para 45,4%.
Esse indicador relaciona as despesas operacionais às receitas consideradas em sua metodologia. De maneira geral, uma redução demonstra que a instituição está conseguindo gerar receitas com menor peso relativo de despesas.
O grupo segurador registrou lucro líquido recorrente de aproximadamente R$ 2,9 bilhões, crescimento anual de 14,1%, e ROAE de 22%.
Na avaliação apresentada pela administração, a diversificação das receitas e o controle dos custos ajudaram a compensar o crescimento mais moderado das operações tradicionais de crédito.
O banco também destacou investimentos em transformação digital, ampliação dos canais de atendimento e utilização de inteligência artificial em processos internos. Essas iniciativas fazem parte de um programa mais amplo de transformação operacional.
A combinação entre receitas diversificadas, eficiência e gestão de riscos será importante para sustentar os resultados sem depender exclusivamente da expansão da carteira de empréstimos.
Bradesco renova programa de recompra de ações
Além dos resultados financeiros, o banco anunciou a renovação de seu programa de recompra de ações, com prazo de 8 de novembro de 2026 a 8 de maio de 2028.
A autorização contempla até 106.584.881 ações, sendo 53.413.506 ordinárias e 53.171.375 preferenciais, conforme as informações divulgadas pela instituição.
A recompra permite que uma empresa adquira ações de sua própria emissão no mercado, dentro dos limites e das condições estabelecidos. Os papéis podem posteriormente ser mantidos em tesouraria, cancelados ou utilizados conforme as regras aplicáveis.
A autorização, entretanto, não significa que todas as ações previstas serão efetivamente adquiridas.
Também não deve ser confundida com distribuição de dividendos ou juros sobre capital próprio. Os efeitos para os acionistas dependem do volume comprado, dos preços praticados e da destinação dos papéis.
A execução do programa deverá ser acompanhada pelos comunicados posteriores do banco, especialmente para avaliar como a política de capital se relaciona com os investimentos, a liquidez e as necessidades de expansão da instituição.
Perguntas frequentes sobre o resultado do Bradesco no 3T26
Quanto o Bradesco lucrou no terceiro trimestre de 2026?
O banco registrou lucro líquido recorrente de R$ 7,109 bilhões, crescimento de 14,6% em relação ao terceiro trimestre de 2025 e de 0,8% na comparação com o segundo trimestre de 2026.
Por que o aumento das provisões preocupa?
Porque as provisões representam despesas reconhecidas para cobrir perdas esperadas nas operações de crédito. No trimestre, chegaram a R$ 10,642 bilhões, crescimento anual de 24,3%, acima da expansão de 14,2% da margem financeira total.
O que significa a inadimplência de 4,6%?
É o percentual do indicador de operações de crédito com atraso superior a 90 dias. O resultado aumentou em relação aos 4,3% do trimestre anterior e aos 4,1% registrados um ano antes.
O Bradesco está recuperando sua rentabilidade?
Os resultados mostram melhora anual do lucro e do ROAE. Entretanto, o indicador de rentabilidade recuou em relação ao segundo trimestre, enquanto as provisões e a inadimplência aumentaram. A consistência dessa recuperação dependerá da evolução conjunta desses fatores.
Qualidade do crédito será decisiva para os próximos resultados
O balanço do terceiro trimestre mostra que o Bradesco continua avançando na recuperação dos lucros, mas enfrenta dificuldades para transformar o crescimento das receitas em uma expansão mais consistente da rentabilidade.
A evolução dos empréstimos, a capacidade de reduzir os atrasos, o comportamento das provisões e o controle das despesas serão indicadores importantes nos próximos balanços.
Também merece acompanhamento a contribuição das receitas de serviços, seguros e tesouraria, que ajudam a diversificar os resultados em um ambiente de crédito mais restritivo.
O principal desafio está no equilíbrio entre crescimento e risco. Uma carteira maior pode ampliar as receitas, mas também exige critérios rigorosos de concessão, acompanhamento dos contratos e capacidade de absorver perdas.
Os números do 3T26 confirmam o avanço anual do lucro, mas mostram que a pressão sobre a qualidade do crédito ainda não foi superada. A trajetória dos próximos trimestres permitirá avaliar se o banco conseguirá sustentar a recuperação sem que o aumento da inadimplência comprometa os ganhos obtidos.
Fontes e referências
1. Bradesco — Relações com Investidores. Relatório de Análise Econômica e Financeira e Press Release do 3T26, publicados em 22 de outubro de 2026. Fonte primária dos indicadores financeiros, carteira de crédito, inadimplência, rentabilidade e despesas. Acessar Relações com Investidores do Bradesco.
2. Reuters — via UOL Economia. Bradesco tem lucro líquido de R$ 7,1 bi no 3º tri, aprova recompra de ações. Publicado em 22 de outubro de 2026. Consultar reportagem da Reuters.
3. InfoMoney. Bradesco (BBDC4) tem lucro líquido recorrente de R$ 7,1 bi no 3º tri, alta de 14,6%. Publicado em 22 de outubro de 2026. Consultar reportagem do InfoMoney.
4. Seu Dinheiro. Lucro do Bradesco (BBDC4) sobe 14% no 3T26, a R$ 7,1 bilhões; calotes podem frear a virada? Publicado em 22 de outubro de 2026, com atualização em 23 de outubro. Consultar o portal Seu Dinheiro.
Nota editorial: os principais indicadores foram confrontados com o material de resultados disponibilizado pelo Bradesco e com as reportagens identificadas. A análise apresentada distingue os dados divulgados das interpretações sobre seus possíveis efeitos.
