A empresa argentina Nova pretende alcançar R$ 600 milhões em faturamento anual no Brasil ao longo da próxima década, apoiada na expansão de fertilizantes especiais, inoculantes e soluções biológicas para o agronegócio. A estratégia prevê a construção de uma fábrica própria para determinadas linhas de produtos, além de parcerias com fabricantes brasileiros para nacionalizar parte da produção. Apesar da ambição, a companhia revisou sua expectativa de receita para 2026, passando de R$ 70 milhões para R$ 40 milhões, em meio às dificuldades financeiras enfrentadas pelos produtores rurais.
Presente no mercado brasileiro desde 2021, a companhia pretende transformar sua operação comercial em uma estrutura mais ampla, combinando distribuição, desenvolvimento tecnológico e fabricação local. A expansão deverá ocorrer gradualmente, com prioridade para fertilizantes especiais e inoculantes destinados ao tratamento industrial de sementes.
Em entrevista publicada pelo AgFeed em 23 de outubro de 2026, Elian Porta, executivo responsável pela operação brasileira, afirmou que a empresa trabalha com a expectativa de encontrar condições mais favoráveis para o crescimento a partir da safra 2027/2028. Trata-se de uma perspectiva empresarial, ainda dependente da recuperação econômica do agronegócio.
Resumo da notícia: principais pontos de atenção
- Meta de longo prazo: R$ 600 milhões de faturamento anual no mercado brasileiro.
- Receita projetada para 2026: R$ 40 milhões, contra R$ 70 milhões inicialmente previstos.
- Fábrica própria: início da construção planejado para os próximos cinco anos.
- Produção nacional: negociação de parcerias com fabricantes brasileiros para produzir soluções biológicas.
- Fertilizantes especiais: participação atual de aproximadamente 25% da receita, com objetivo de superar 40%.
- Pesquisa e desenvolvimento: centro de inovação biotecnológica em funcionamento em Londrina (PR), inaugurado em 2024.
Nova no Brasil: crescimento comercial enfrenta dificuldades no agronegócio
A revisão das projeções financeiras mostra que a expansão da Nova não está ocorrendo no ritmo inicialmente planejado. A companhia esperava alcançar R$ 70 milhões em receitas brasileiras em 2026, mas passou a trabalhar com uma estimativa de R$ 40 milhões.
Mesmo com a redução da expectativa, a empresa informou crescimento aproximado de 27% no faturamento em 2026. Segundo Elian Porta, as dificuldades financeiras dos produtores rurais influenciaram a decisão de adotar uma estratégia mais cautelosa.
O cenário é particularmente relevante para fabricantes de insumos agrícolas. A aquisição de fertilizantes especiais, inoculantes e outras soluções tecnológicas depende das condições financeiras dos agricultores, das perspectivas de rentabilidade das lavouras e da disponibilidade de crédito.
Quando o produtor enfrenta restrições de caixa, investimentos em determinadas tecnologias podem ser adiados ou reavaliados. Isso exige que os fornecedores mantenham uma estrutura comercial eficiente, ofereçam suporte técnico e demonstrem o retorno econômico das soluções disponibilizadas.
A Nova afirma que manteve e ampliou seu quadro de funcionários durante esse período, enquanto procura fortalecer sua rede de distribuidores e cooperativas.
A intenção é preservar a capacidade de atendimento e preparar a operação para uma retomada mais consistente quando as condições do mercado permitirem.
Meta de R$ 600 milhões exige ampliar a escala da operação
A distância entre a receita projetada para 2026 e a ambição de longo prazo ajuda a dimensionar o desafio empresarial.
| Indicador | Valor informado |
|---|---|
| Receita projetada para 2026 | R$ 40 milhões |
| Previsão inicial para 2026 | R$ 70 milhões |
| Meta de faturamento anual no Brasil | R$ 600 milhões |
| Crescimento informado em 2026 | Aproximadamente 27% |
| Participação atual dos fertilizantes especiais | 25% da receita |
| Participação pretendida | Mais de 40% |
Partindo da projeção de R$ 40 milhões, alcançar R$ 600 milhões significaria multiplicar o faturamento anual por 15 vezes.
Esse avanço não dependerá exclusivamente do aumento das vendas. A companhia precisará ampliar sua capacidade de distribuição, consolidar o relacionamento com os canais comerciais, desenvolver mercados regionais e aumentar a participação de produtos com maior contribuição para a receita.
A estratégia também considera as características do mercado brasileiro, que apresenta diferenças importantes entre regiões agrícolas, culturas e necessidades de aplicação.
Segundo a reportagem, o portfólio da empresa reúne 56 produtos, abrangendo categorias como adjuvantes, fertilizantes, inoculantes, bioestimulantes e soluções de proteção agrícola.
Fábrica própria no Brasil deverá reduzir dependência de importações
Fertilizer Production Lines | Granulation and Processing Equipment | Longguang
Um dos principais passos da estratégia de expansão será a implantação de uma unidade industrial brasileira.
Atualmente, parte dos produtos comercializados pela operação nacional é importada da Argentina, onde a Nova mantém sua estrutura produtiva na província de Santa Fé.
O planejamento divulgado prevê iniciar a construção de uma fábrica no Brasil nos próximos cinco anos, destinada principalmente à produção de adjuvantes e fertilizantes especiais.
Até a publicação da reportagem, entretanto, a companhia ainda não havia divulgado três informações fundamentais para dimensionar o empreendimento:
- Localização da futura unidade.
- Valor do investimento industrial.
- Capacidade produtiva prevista.
A ausência desses dados impede avaliar o porte econômico do projeto e seus possíveis impactos sobre a cadeia de fornecedores e o mercado de trabalho regional.
Também é importante distinguir o anúncio de intenção de investimento da efetiva implantação industrial. O início da construção não significa que a fábrica já esteja produzindo. A entrada em operação dependerá da execução das obras, instalação de equipamentos, estruturação dos processos e cumprimento das exigências aplicáveis.
Produção local poderá trazer ganhos logísticos e operacionais
A fabricação no Brasil poderá modificar a organização do abastecimento, especialmente se a unidade estiver próxima das principais regiões consumidoras.
Entre os fatores que poderão influenciar a competitividade estão:
- Logística: redução potencial da dependência de determinados fluxos internacionais de transporte.
- Abastecimento: maior possibilidade de organizar a produção conforme a demanda nacional.
- Escala industrial: condições para ampliar o fornecimento conforme o crescimento comercial.
- Desenvolvimento tecnológico: integração entre pesquisa, formulação e fabricação.
- Competitividade: influência dos custos industriais, matérias-primas e distribuição sobre os preços finais.
Esses resultados são possibilidades associadas à nacionalização da produção, e não benefícios já comprovados para o projeto.
A localização, o modelo de operação e a capacidade da futura fábrica serão determinantes para avaliar a viabilidade econômica da iniciativa.
Parcerias industriais deverão acelerar a produção de biológicos
Para os produtos biológicos, a estratégia anunciada segue um caminho diferente.
Em vez de construir imediatamente uma fábrica própria para essa categoria, a Nova negocia acordos com fabricantes brasileiros interessados em produzir soluções desenvolvidas pela estrutura argentina.
O modelo prevê transferência de fórmulas e processos industriais, incluindo tecnologias de fermentação de microrganismos.
A fermentação é um processo biotecnológico no qual microrganismos são multiplicados em condições controladas, utilizando equipamentos e ambientes específicos para assegurar parâmetros como temperatura, nutrientes, concentração e qualidade microbiológica.
Na fabricação de insumos agrícolas, esse controle é importante para garantir a identidade e a viabilidade dos organismos utilizados nas formulações.
Segundo o executivo, algumas iniciativas já estavam em andamento. Entretanto, não foram divulgados os nomes dos fabricantes envolvidos, os volumes contratados ou os cronogramas de produção.
Terceirização industrial poderá reduzir a necessidade de capital próprio
A utilização de fabricantes parceiros permite que uma empresa amplie sua produção sem necessariamente construir todas as instalações industriais por conta própria.
Para a Nova, esse modelo poderá proporcionar:
- Aproveitamento de estruturas industriais já existentes.
- Menor necessidade inicial de investimento em instalações próprias.
- Transferência de tecnologias desenvolvidas na Argentina.
- Ampliação gradual da oferta de produtos nacionais.
- Maior flexibilidade para ajustar a produção à demanda.
A efetividade dessa estratégia dependerá da capacidade técnica dos parceiros, dos custos de fabricação, dos controles de qualidade e das condições contratuais.
Também será necessário assegurar o atendimento às exigências regulatórias brasileiras para fabricação e comercialização dos produtos.
Inoculantes para sementes estão entre as prioridades comerciais
Outra frente importante da expansão envolve os inoculantes utilizados no tratamento industrial de sementes, conhecido pela sigla TSI.
A Nova pretende alcançar a liderança brasileira nesse segmento nos próximos dois anos, segundo a meta apresentada por Elian Porta.
Os inoculantes são produtos que contêm microrganismos capazes de favorecer o desenvolvimento vegetal. Dependendo da composição e da finalidade, podem contribuir para processos como a fixação biológica do nitrogênio e outras interações benéficas entre plantas e microrganismos.
No tratamento de sementes, um dos desafios técnicos é preservar a viabilidade dos organismos durante a aplicação, o armazenamento e o período que antecede a semeadura.
Isso exige atenção à formulação, à compatibilidade com outros produtos utilizados no tratamento e às condições de armazenamento e utilização.
O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) disponibiliza protocolos técnicos para avaliação da viabilidade e da eficiência agronômica de inoculantes e tecnologias relacionadas a microrganismos. Os procedimentos incluem avaliações laboratoriais e ensaios de eficiência em condições de cultivo. Serviços e Informações do Brasil+1
Atendimento técnico será importante para conquistar mercado
A competição nesse segmento não depende apenas da disponibilidade comercial dos produtos.
O suporte técnico pode influenciar a adoção das tecnologias, especialmente quando o produtor precisa compreender as recomendações de aplicação, as condições de conservação e a compatibilidade com outros insumos.
A Nova aposta em uma equipe dedicada ao tratamento industrial de sementes para ampliar o relacionamento com clientes e distribuidores.
Entretanto, a meta de liderança ainda precisa ser acompanhada por indicadores objetivos. Não foram divulgados dados sobre a participação de mercado atual da empresa nem os critérios que serão utilizados para determinar a posição de liderança.
Portanto, trata-se de um objetivo comercial anunciado, e não de uma posição já conquistada.
Fertilizantes especiais deverão ganhar participação no faturamento
Os fertilizantes especiais representam outra frente estratégica para o crescimento da companhia.
Segundo a entrevista ao AgFeed, a categoria responde atualmente por aproximadamente 25% do faturamento brasileiro, e a empresa pretende elevar essa participação para mais de 40%.
A mudança é relevante porque indica uma intenção de alterar a composição das receitas, ampliando o peso de produtos que apresentam valores comerciais superiores aos de determinadas categorias de insumos biológicos.
Durante a entrevista, o executivo citou valores de investimento por hectare entre R$ 15 e R$ 20 para inoculantes e aproximadamente R$ 1.200 para determinados fertilizantes especiais.
Essas referências foram apresentadas pelo próprio executivo e não representam preços universais ou recomendações de aplicação.
| Categoria | Valor citado por hectare |
|---|---|
| Inoculantes | R$ 15 a R$ 20 |
| Determinados fertilizantes especiais | Aproximadamente R$ 1.200 |
Os valores não permitem estabelecer uma comparação direta de rentabilidade. Os produtos possuem funções agronômicas diferentes, recomendações específicas e resultados que dependem das condições de solo, cultura, manejo e aplicação.
Tecnologia de fabricação diferencia o portfólio, segundo a empresa
A Nova também destaca o processo de fabricação utilizado em seus fertilizantes minerais especiais.
Segundo a companhia, a tecnologia permite incorporar macro e micronutrientes diretamente durante a fabricação dos grânulos, em vez de depender exclusivamente de revestimentos superficiais utilizados em determinadas formulações.
A diferença está na maneira como os nutrientes são incorporados ao produto.
Entretanto, a descrição desse processo como diferencial tecnológico não comprova, isoladamente, superioridade agronômica em relação às alternativas disponíveis no mercado.
Para avaliar o desempenho, seriam necessários ensaios comparativos independentes, considerando composição nutricional, disponibilidade dos elementos, condições de aplicação e resultados obtidos nas lavouras.
A capacidade de demonstrar benefícios agronômicos consistentes será importante para sustentar a expansão comercial dessa linha.
Centro de inovação em Londrina fortalece a pesquisa e o desenvolvimento
A expansão industrial planejada pela Nova conta com uma estrutura de pesquisa e desenvolvimento já estabelecida no Brasil.
Em 2024, a companhia inaugurou o Centro de Inovação Biotecnológica em Londrina, no Paraná, com investimento anunciado de R$ 2 milhões.
Segundo publicação da Prefeitura de Londrina, o espaço foi concebido para desenvolver novos produtos, otimizar processos e promover capacitação profissional relacionada ao uso de microrganismos de interesse biotecnológico. Blog Londrina
A existência dessa estrutura oferece uma base para aproximar as atividades de pesquisa das necessidades do mercado agrícola brasileiro.
Também permite diferenciar duas etapas importantes da estratégia empresarial: o desenvolvimento tecnológico e a fabricação comercial em escala.
Um centro de inovação pode apoiar pesquisas, formulações, testes e aperfeiçoamentos de processos, mas não equivale automaticamente a uma fábrica com capacidade para abastecer grandes volumes de mercado.
Por isso, a futura unidade industrial deverá representar uma etapa adicional na estruturação da companhia no Brasil.
Expansão comercial acompanha as principais regiões agrícolas
A estratégia de crescimento também exige ampliar a presença comercial nas regiões produtoras.
Segundo a reportagem, a Nova concentra esforços principalmente nas culturas de soja e milho, com atuação direcionada às regiões Centro-Oeste e Norte.
A companhia também atende produtores de algodão e fruticultura, incluindo mercados do Vale do São Francisco, no Nordeste.
A distribuição é um componente importante desse planejamento. Fertilizantes especiais e produtos biológicos precisam chegar aos clientes em condições adequadas de armazenamento e utilização, respeitando as características de cada formulação.
A empresa mantém estrutura de distribuição em Londrina e unidades logísticas em diferentes estados brasileiros, conforme informações apresentadas na entrevista.
A ampliação da rede de distribuidores e cooperativas será importante para alcançar mercados onde a presença comercial ainda precisa ser fortalecida.
Esse trabalho também deverá acompanhar as diferenças entre culturas, calendários agrícolas e demandas regionais.
Quais são os próximos passos da expansão da Nova?
A execução da estratégia dependerá de decisões comerciais e industriais que ainda estão em desenvolvimento.
Os principais pontos a acompanhar são:
- Faturamento: verificar se a empresa alcançará ou superará a projeção de R$ 40 milhões em 2026.
- Fertilizantes especiais: acompanhar o aumento da participação dessa categoria na receita.
- Parcerias industriais: identificar os fabricantes brasileiros que participarão da produção de biológicos.
- Fábrica própria: acompanhar a definição da localização, do investimento e da capacidade produtiva.
- Inoculantes: verificar a evolução da participação da empresa no mercado de tratamento industrial de sementes.
- Mercado agrícola: observar se as condições financeiras dos produtores melhoram a partir da safra 2027/2028.
Outro aspecto relevante será a ampliação do portfólio. A reportagem também informa que a companhia iniciou o processo de registro de uma combinação de fungicida e inseticida destinada ao tratamento de sementes no Brasil. Segundo o executivo, a entrada nesse segmento dependerá dos procedimentos regulatórios, que podem levar de três a cinco anos.
Meta de R$ 600 milhões dependerá da consolidação industrial e comercial
A ambição da Nova de alcançar R$ 600 milhões em faturamento anual no Brasil demonstra a dimensão do mercado que a companhia pretende conquistar.
O caminho, porém, envolve mais do que ampliar o portfólio e a rede de vendas. Será necessário transformar o planejamento em capacidade produtiva, estabelecer parcerias industriais consistentes e demonstrar competitividade em diferentes regiões agrícolas.
A fábrica própria, a produção de biológicos por meio de parceiros e o centro de inovação em Londrina representam iniciativas distintas dentro dessa estratégia.
O principal indicador de avanço será a capacidade de converter essas iniciativas em resultados comerciais e operacionais concretos. Até que sejam anunciados os detalhes da futura unidade industrial e formalizadas as parcerias de fabricação, a expansão permanece em uma etapa de planejamento e estruturação.
Fontes e referências
1. AgFeed — A ambição da “hermana” Nova no Brasil, com planos para fábrica e receita de R$ 600 milhões no País. Italo Bertão Filho, 23 de outubro de 2026. Fonte principal da entrevista, projeções financeiras e estratégia empresarial.
Consultar reportagem original no AgFeed.
2. Ministério da Agricultura e Pecuária — Protocolos oficiais para avaliação da viabilidade e eficiência agronômica de cepas, produtos e tecnologias relacionadas às bactérias associativas. Referência técnica sobre avaliação de inoculantes e microrganismos.
Consultar protocolo oficial do MAPA.
3. Ministério da Agricultura e Pecuária — Fertilizantes, inoculantes e corretivos. Página institucional com documentos e orientações regulatórias do setor.
Consultar página oficial do MAPA.
4. Prefeitura de Londrina — Multinacional argentina expande operações em Londrina. Publicação institucional sobre a inauguração do Centro de Inovação Biotecnológica e o investimento anunciado de R$ 2 milhões.
Consultar publicação da Prefeitura de Londrina.
5. Nova do Brasil — Sobre a empresa. Informações institucionais sobre a trajetória da companhia, sua operação brasileira e atuação no agronegócio.
Consultar apresentação institucional da Nova.
