A Inpasa está implantando uma biorrefinaria de R$ 2,4 bilhões em Rio Verde, no sudoeste de Goiás, com capacidade projetada para processar até 2 milhões de toneladas de grãos por ano. A unidade deverá produzir etanol, DDGS e óleo vegetal, ampliando a transformação industrial do milho e de outros cereais em uma das principais regiões agrícolas do país. A primeira linha tem início de operação previsto para dezembro de 2026, enquanto a segunda etapa deverá começar em fevereiro de 2027.
O empreendimento marca a entrada da companhia no mercado goiano e amplia sua estrutura de produção de biocombustíveis no Brasil. Além do etanol, a fábrica foi planejada para gerar ingredientes destinados à alimentação animal e produtos com aplicações industriais, conectando diferentes segmentos da cadeia agroindustrial.
Resumo da notícia: principais pontos de atenção
- Investimento anunciado: R$ 2,4 bilhões na construção da unidade em Rio Verde (GO).
- Capacidade de processamento: 2 milhões de toneladas de grãos por ano, divididas em duas etapas.
- Primeira linha: início de operação previsto para dezembro de 2026.
- Segunda linha: entrada em funcionamento prevista para fevereiro de 2027.
- Produção projetada: 1 bilhão de litros de etanol, 490 mil toneladas de DDGS e 47 mil toneladas de óleo vegetal por ano, conforme o anúncio original.
- Empregos previstos: até 2.700 postos diretos e indiretos durante as obras e 420 empregos fixos na operação.
Os números representam parâmetros anunciados para o projeto. Não correspondem a resultados de produção já alcançados nem significam que todas as vagas estejam abertas.
Biorrefinaria da Inpasa em Rio Verde avança para a fase operacional
O lançamento da pedra fundamental ocorreu em 30 de outubro de 2025, quando a empresa anunciou oficialmente a construção da unidade e apresentou os principais indicadores do empreendimento. Desde então, o projeto avançou para as etapas de implantação industrial e preparação da futura operação.
Em outubro de 2026, informações divulgadas pela imprensa indicaram que a fábrica já recebia cargas de milho para os preparativos operacionais. Essa movimentação representa um avanço na estruturação do abastecimento, mas não deve ser confundida com o início da produção comercial de etanol.
A diferença é importante porque uma indústria pode começar a receber matérias-primas antes de concluir a montagem dos equipamentos, os testes dos sistemas e os procedimentos necessários à partida da produção.
Segundo informações divulgadas em entrevista pelo vice-presidente de negócios de originação da Inpasa, Flávio Peruzo Gonçalves, a primeira etapa deverá processar o equivalente a 1 milhão de toneladas de milho por ano.
A segunda linha, programada para fevereiro de 2027, acrescentará capacidade semelhante. Com as duas etapas em funcionamento, a unidade deverá alcançar o volume total de processamento previsto no projeto.
Duas linhas de produção para alcançar a capacidade projetada
A implantação escalonada permite colocar parte da estrutura em funcionamento antes da conclusão de toda a capacidade industrial.
O planejamento divulgado apresenta a seguinte distribuição:
| Etapa | Capacidade anual de processamento | Previsão |
|---|---|---|
| Primeira linha | 1 milhão de toneladas | Dezembro de 2026 |
| Segunda linha | 1 milhão de toneladas | Fevereiro de 2027 |
| Capacidade total | 2 milhões de toneladas | Após as duas etapas |
As datas representam o cronograma informado pelas fontes consultadas, não uma confirmação de que as linhas já estejam produzindo.
A evolução da operação dependerá também da conclusão dos testes industriais, da disponibilidade de matéria-prima e da estabilização dos processos produtivos.
O que a biorrefinaria da Inpasa deverá produzir
O projeto foi concebido para aproveitar diferentes componentes dos grãos utilizados no processamento industrial. Esse modelo permite que a mesma matéria-prima origine produtos destinados a mercados distintos.
O etanol será o principal produto energético da unidade. Já o DDGS e o óleo vegetal representam outras frentes comerciais, ampliando o aproveitamento econômico dos cereais.
De acordo com o comunicado institucional publicado pela Inpasa em outubro de 2025, as capacidades anunciadas são:
| Produto ou indicador | Capacidade anual projetada |
|---|---|
| Processamento de grãos | 2 milhões de toneladas |
| Etanol | 1 bilhão de litros |
| DDGS | 490 mil toneladas |
| Óleo vegetal | 47 mil toneladas |
Importante: os volumes são projeções divulgadas no anúncio original da empresa e não representam produção efetiva.
DDGS amplia a integração com a indústria de proteína animal
Um dos aspectos relevantes do empreendimento está na produção de DDGS, sigla em inglês para Dried Distillers Grains with Solubles, traduzida como grãos secos de destilaria com solúveis.
Esse material é obtido durante a fabricação de etanol a partir de cereais e possui aplicação na formulação de rações e dietas para animais.
Seu aproveitamento permite utilizar componentes nutricionais dos grãos que permanecem após a extração do etanol, agregando valor à matéria-prima agrícola.
O DDGS pode ser utilizado na alimentação de bovinos, suínos e aves, de acordo com suas características nutricionais e com a composição das dietas formuladas para cada espécie.
Para a Inpasa, a capacidade projetada de 490 mil toneladas anuais representa uma importante frente de comercialização. Entretanto, o resultado econômico dependerá da demanda, da qualidade do produto, dos preços praticados e da estrutura logística necessária para atender aos compradores.
A comercialização desse coproduto também possui dimensão internacional. Em entrevista publicada em junho de 2026, um executivo da companhia mencionou a expansão das exportações de DDGS e a necessidade de desenvolver mercados capazes de absorver o crescimento da produção.
Isso demonstra que o desafio de uma biorrefinaria não termina na transformação industrial dos grãos. É necessário estruturar mercados para todos os produtos gerados durante o processamento.
Óleo vegetal acrescenta outra frente de comercialização
A previsão de produção de 47 mil toneladas anuais de óleo vegetal amplia a diversidade de produtos que poderão sair da unidade.
O aproveitamento dos diferentes componentes dos cereais permite diversificar as fontes de receita e reduzir a dependência comercial de um único produto.
Essa característica é importante para o planejamento de uma indústria de grande escala, pois o desempenho econômico depende da combinação entre rendimento industrial, custos de produção e condições de comercialização de cada produto.
Por que Rio Verde foi escolhida para receber o investimento
A localização da nova fábrica está diretamente relacionada à estrutura agrícola e logística do sudoeste de Goiás.
Rio Verde possui forte presença na produção de grãos e reúne atividades de armazenagem, transporte, fornecimento de insumos e processamento agroindustrial.
A escolha do município também considera sua infraestrutura logística e a proximidade com áreas produtoras, fatores importantes para uma indústria que pretende receber até 2 milhões de toneladas de matéria-prima por ano.
A unidade está sendo implantada na zona rural do município, nas proximidades da BR-060, corredor rodoviário que integra importantes regiões produtivas do Centro-Oeste.
Para uma operação industrial dessa dimensão, o abastecimento regular de milho e outros cereais representa um componente essencial do planejamento.
A logística não envolve apenas a chegada da matéria-prima. Também será necessário organizar o transporte do etanol, do DDGS e do óleo vegetal até os respectivos mercados consumidores.
A industrialização agrega uma nova etapa à produção agrícola
A presença de uma grande unidade de processamento pode ampliar as alternativas de comercialização disponíveis aos produtores rurais.
Em vez de depender exclusivamente da venda de grãos in natura, a região passa a contar com mais uma estrutura industrial capaz de transformar parte dessa produção em mercadorias de maior processamento.
O efeito potencial alcança diferentes atividades:
- Produção e comercialização de milho e outros cereais.
- Transporte rodoviário de matérias-primas.
- Armazenagem e movimentação de grãos.
- Fornecimento de equipamentos e serviços industriais.
- Comercialização de biocombustíveis.
- Cadeia de nutrição animal.
A instalação de uma indústria desse porte, entretanto, não garante automaticamente preços melhores para os produtores. As condições de compra, a distância das propriedades, a concorrência entre compradores e os custos logísticos continuarão influenciando a rentabilidade agrícola.
Investimento de R$ 2,4 bilhões prevê empregos e movimentação econômica
O empreendimento também deverá movimentar a economia regional durante a construção e depois do início das operações.
A Inpasa anunciou a previsão de até 2.700 empregos diretos e indiretos durante a implantação e outros 420 postos fixos na fase operacional.
São estimativas relacionadas a períodos diferentes. Durante as obras, a demanda por profissionais tende a acompanhar as etapas de construção, montagem e instalação dos equipamentos. Na operação permanente, as necessidades de mão de obra estarão associadas ao funcionamento da unidade industrial.
Entre as atividades que podem integrar uma operação desse porte estão produção, manutenção, controle de qualidade, logística, movimentação de materiais e gestão industrial. Essa relação representa áreas compatíveis com o funcionamento da fábrica, não uma lista oficial de vagas anunciadas.
Também é importante distinguir o investimento divulgado do dinheiro efetivamente desembolsado. Os R$ 2,4 bilhões correspondem ao valor anunciado para o empreendimento, e não constituem, isoladamente, uma comprovação de que todo o capital já tenha sido aplicado.
Para os profissionais interessados em trabalhar na unidade, a orientação é acompanhar os canais oficiais de recrutamento da empresa. A previsão de empregos não significa que todos os postos estejam disponíveis para candidatura neste momento.
A expansão da produção de etanol também depende da demanda
A ampliação da capacidade industrial traz oportunidades, mas exige atenção ao comportamento do mercado de biocombustíveis.
O crescimento da oferta de etanol precisa acompanhar a evolução do consumo, a competitividade dos preços e a capacidade de distribuição.
Em entrevista publicada em junho de 2026, o vice-presidente de negócios de originação da Inpasa, Flávio Peruzo Gonçalves, mencionou preocupações com o ritmo de expansão da oferta e a necessidade de novas oportunidades de comercialização.
O executivo também destacou a importância de desenvolver mercados para os coprodutos, especialmente o DDGS.
Essa questão é relevante porque a ampliação da capacidade produtiva exige compradores para os volumes adicionais. Uma fábrica pode apresentar elevada capacidade instalada, mas seu desempenho econômico dependerá da utilização efetiva dessa estrutura e da comercialização dos produtos.
Diferença entre 950 milhões e 1 bilhão de litros de etanol
Um dado merece atenção na avaliação do projeto.
O comunicado oficial da Inpasa, publicado em outubro de 2025, informa capacidade projetada de 1 bilhão de litros de etanol por ano para a unidade de Rio Verde.
Entretanto, uma entrevista concedida pelo executivo Flávio Peruzo Gonçalves ao AgFeed, publicada em 1º de junho de 2026, menciona uma produção anual de 950 milhões de litros após a conclusão das duas etapas.
As duas informações apresentam uma diferença de 50 milhões de litros anuais. As fontes consultadas não esclarecem se o número posterior representa uma revisão técnica, uma estimativa operacional ou outro critério de cálculo.
Por isso, os valores precisam permanecer identificados conforme suas respectivas fontes, sem que um seja apresentado como substituição definitiva do outro.
A confirmação da capacidade operacional final dependerá de esclarecimento oficial da companhia.
O que acompanhar após o início das operações
A entrada em funcionamento das linhas será o primeiro marco para avaliar a execução do investimento. Posteriormente, os resultados industriais e comerciais permitirão verificar quanto da capacidade anunciada será efetivamente utilizado.
Alguns indicadores merecem acompanhamento:
- Cronograma industrial: confirmação do início da primeira linha e da entrada em operação da segunda etapa.
- Processamento de grãos: volume efetivamente recebido e processado pela unidade.
- Produção de etanol: capacidade operacional alcançada e esclarecimento sobre os números de 950 milhões e 1 bilhão de litros.
- Comercialização de DDGS: evolução das vendas e participação das exportações.
- Produção de óleo vegetal: volumes efetivos e mercados atendidos.
- Empregos: confirmação das contratações permanentes previstas.
- Abastecimento agrícola: evolução das relações comerciais com produtores e fornecedores de grãos.
Esses dados serão fundamentais para diferenciar as expectativas anunciadas dos resultados concretos da nova biorrefinaria.
Biorrefinaria amplia a presença industrial da Inpasa em Goiás
A implantação da unidade em Rio Verde representa uma nova etapa na expansão da Inpasa e amplia a presença da indústria de transformação na economia goiana.
O investimento anunciado de R$ 2,4 bilhões combina processamento de grãos, produção de biocombustíveis e fabricação de coprodutos destinados à nutrição animal e a outros mercados.
A dimensão do projeto coloca a logística de abastecimento, a eficiência industrial e a comercialização dos produtos entre os principais fatores para o desempenho futuro da unidade.
O próximo passo será confirmar o cumprimento do cronograma de dezembro de 2026 e fevereiro de 2027. Depois disso, a evolução dos volumes processados e comercializados permitirá avaliar o alcance econômico e industrial do empreendimento.
Até que esses resultados sejam divulgados, a análise deve considerar separadamente o investimento anunciado, a capacidade projetada e a produção efetivamente alcançada.
Fontes e referências
1. Inpasa — Inpasa anuncia construção de nova biorrefinaria em Rio Verde (GO). Comunicado institucional publicado em 30 de outubro de 2025. Fonte primária para investimento, empregos previstos e capacidades produtivas anunciadas.
Consultar comunicado oficial da Inpasa.
2. NovaCana / AgFeed — Inpasa vê mercado “tirando o pé”, mas mantém plano de abertura de novas usinas. Publicado em 1º de junho de 2026. Reportagem com entrevista de Flávio Peruzo Gonçalves, informações sobre o cronograma de Rio Verde, capacidade de etanol e mercado de DDGS.
Consultar reportagem e entrevista.
3. Portal 6 — Nova fábrica de R$ 2,4 bilhões em Goiás terá capacidade para produzir 1 bilhão de litros de etanol por ano a partir do milho. Publicado em 23 de outubro de 2026. Referência indicada no material original para o avanço da implantação e o recebimento de matéria-prima. O endereço foi fornecido no material, mas não foi possível confirmar independentemente seu conteúdo integral nesta consulta.
Consultar reportagem do Portal 6.
4. Prefeitura de Rio Verde — Prefeitura de Rio Verde convida para o lançamento da Pedra Fundamental da Inpasa. Publicado em 29 de outubro de 2025. Fonte institucional complementar sobre o lançamento do empreendimento.
Consultar publicação da Prefeitura.
