A expansão logística da Cooprofar, em Alcochete, Portugal, recebeu um investimento de € 15 milhões para ampliar a capacidade de armazenagem e modernizar a distribuição de medicamentos. Inaugurada em 23 de outubro de 2026, a nova estrutura acrescenta 6.500 metros quadrados de área útil e foi projetada para alcançar uma capacidade futura de até 13.500 paletes. O projeto também prevê automação, robótica e novos serviços de armazenagem destinados à indústria farmacêutica, com conclusão integral programada para 2027.
A iniciativa vai além da ampliação física de um centro de distribuição. A cooperativa portuguesa pretende fortalecer o atendimento às farmácias, reorganizar seus estoques e desenvolver uma nova atividade comercial voltada aos fabricantes de medicamentos: o pré-armazenamento de produtos antes de sua transferência para outros distribuidores.
O investimento ocorre após um período de crescimento da organização. Em 2025, a Cooprofar alcançou € 544 milhões em volume de negócios, crescimento de 13% em relação ao ano anterior, segundo informações divulgadas pela administração e reproduzidas pela imprensa portuguesa. Jornal Económico+1
Resumo da notícia: principais pontos de atenção
- Investimento: € 15 milhões na ampliação e modernização da plataforma de Alcochete.
- Expansão física: acréscimo de 6.500 m² de área útil.
- Capacidade planejada: até 13.500 paletes em uma etapa futura.
- Tecnologia: incorporação de automação e robótica aos processos logísticos.
- Novo negócio: pré-armazenamento de medicamentos para fabricantes farmacêuticos.
- Conclusão: modernização integral prevista para 2027.
- Receita: expectativa de aproximadamente € 1 milhão adicional por ano com o novo serviço.
Investimento de € 15 milhões combina infraestrutura e automação
A ampliação da unidade de Alcochete foi estruturada em duas frentes principais: construção de novas instalações e modernização tecnológica dos armazéns existentes.
Dos € 15 milhões previstos, aproximadamente € 9 milhões estão destinados à construção do novo armazém. O restante será direcionado principalmente à aquisição e instalação de equipamentos de automação e robótica.
A diferença entre essas duas etapas é importante para compreender o alcance do empreendimento. A construção amplia a capacidade física disponível, enquanto a modernização tecnológica procura melhorar a movimentação dos produtos, a organização dos estoques e o processamento dos pedidos.
A inauguração realizada em outubro representa uma etapa já concretizada, mas não significa que todos os equipamentos e sistemas previstos estejam instalados e operando em sua configuração definitiva.
Segundo a administração, a conclusão integral do projeto deverá ocorrer em 2027. Jornal Económico
| Indicador | Informação |
|---|---|
| Investimento total | € 15 milhões |
| Construção do novo armazém | Aproximadamente € 9 milhões |
| Área adicional | 6.500 m² |
| Capacidade futura | Até 13.500 paletes |
| Conclusão integral prevista | 2027 |
| Receita adicional estimada | € 1 milhão/ano |
Os valores representam informações divulgadas sobre o projeto. A capacidade de 13.500 paletes é uma previsão futura, e não uma confirmação de ocupação atual.
Expansão logística da Cooprofar cria nova frente de negócios
Uma das mudanças mais relevantes do empreendimento está na intenção de ampliar os serviços prestados diretamente à indústria farmacêutica.
A cooperativa pretende desenvolver o chamado pré-grossismo, também conhecido internacionalmente como pre-wholesale. Nesse modelo, fabricantes de medicamentos contratam estruturas logísticas especializadas para receber e armazenar seus produtos antes da distribuição para outros operadores.
Na prática, um laboratório que fabrica medicamentos em outro país europeu poderá utilizar a plataforma de Alcochete como ponto de armazenagem em Portugal. Posteriormente, os produtos poderão ser encaminhados aos distribuidores responsáveis pelas etapas seguintes da cadeia de abastecimento.
Esse serviço possui características diferentes da distribuição convencional realizada pela Cooprofar para atender às farmácias.
Na distribuição tradicional, a cooperativa administra estoques de medicamentos e organiza entregas aos estabelecimentos farmacêuticos. No pré-armazenamento, passa também a oferecer infraestrutura logística aos próprios fabricantes, ampliando sua participação na cadeia de suprimentos.
Receita adicional dependerá da conquista de clientes
A administração estima que essa nova atividade possa acrescentar aproximadamente € 1 milhão por ano ao volume de negócios.
Entretanto, trata-se de uma projeção comercial, não de receita já contratada ou garantida.
O resultado dependerá da conquista de fabricantes interessados, da celebração de contratos, da ocupação dos espaços disponíveis e da quantidade de medicamentos movimentados.
A diversificação também poderá contribuir para aproveitar melhor a infraestrutura instalada, desde que a nova operação seja integrada aos processos existentes sem comprometer o atendimento às farmácias.
Segundo Hélder Mesquita, presidente do conselho de administração, a expansão deverá atender simultaneamente ao desenvolvimento do pré-armazenamento e à reorganização dos armazéns destinados ao abastecimento farmacêutico. Jornal Económico
Automação e robótica devem modernizar a operação
A incorporação de tecnologias automatizadas constitui outra parte importante do investimento.
Em um centro de distribuição farmacêutica, a movimentação de mercadorias exige controle sobre recebimento, identificação, armazenagem, separação e expedição. A eficiência depende da integração dessas atividades e da capacidade de manter informações precisas sobre cada produto.
A automação pode contribuir para organizar os fluxos internos, reduzir deslocamentos desnecessários e melhorar a utilização do espaço disponível.
A robótica também pode assumir determinadas tarefas de movimentação e preparação de pedidos, dependendo da configuração dos equipamentos instalados.
Essas tecnologias, entretanto, precisam ser integradas aos sistemas de gestão e aos procedimentos operacionais. A aquisição de equipamentos, isoladamente, não garante ganhos de produtividade.
Para avaliar os resultados da modernização, alguns indicadores serão particularmente importantes:
- Produtividade: quantidade de pedidos processados por hora e por trabalhador.
- Precisão operacional: frequência de erros de separação, identificação e expedição.
- Gestão de estoques: acuracidade dos registros e tempo necessário para localizar mercadorias.
- Disponibilidade dos equipamentos: proporção do tempo em que os sistemas permanecem aptos para operar.
- Custos logísticos: despesas operacionais em relação ao volume movimentado.
Até o momento, as informações divulgadas não apresentam metas quantitativas suficientes para determinar a redução esperada de custos ou o aumento efetivo da produtividade.
Modernização também envolve as equipes
A administração da cooperativa indicou que a automação deverá apoiar o trabalho dos profissionais, permitindo que as equipes realizem as atividades com maior produtividade.
A empresa informa possuir mais de 350 trabalhadores e admite a possibilidade de ampliar o quadro de pessoal conforme a evolução das operações.
Esse aspecto demonstra que a modernização logística não deve ser avaliada apenas pela quantidade de equipamentos instalados. Treinamento, integração dos sistemas, manutenção e organização do trabalho também influenciam o desempenho final da estrutura. Jornal Económico
Cadeia de frio exige infraestrutura especializada
A expansão de Alcochete também contempla unidades de frio destinadas a medicamentos que necessitam de condições específicas de temperatura.
Entre os produtos que podem exigir conservação controlada estão determinadas vacinas e medicamentos injetáveis.
Diferentemente de mercadorias industriais convencionais, esses produtos precisam permanecer dentro das condições de conservação estabelecidas pelos fabricantes. Uma variação inadequada de temperatura pode comprometer sua qualidade, mesmo quando a embalagem não apresenta danos aparentes.
Por essa razão, a infraestrutura farmacêutica exige integração entre instalações, equipamentos de refrigeração, monitoramento ambiental e procedimentos operacionais.
Em Portugal, a distribuição por grosso de medicamentos para uso humano está sujeita às Boas Práticas de Distribuição (BPD), regulamentadas pelo INFARMED.
A Deliberação n.º 946/2021, publicada no Diário da República em 13 de setembro de 2021, alterou e republicou o regulamento nacional correspondente.
Entre os requisitos relevantes estão:
- Instalações adequadas às condições de conservação dos medicamentos.
- Monitoramento das condições ambientais.
- Procedimentos documentados para armazenamento e transporte.
- Manutenção e calibração dos equipamentos de controle.
- Investigação e registro de desvios de temperatura.
- Qualificação dos processos e gestão da qualidade.
A regulamentação também estabelece responsabilidades relacionadas à integridade dos medicamentos durante o transporte e à comunicação de eventuais desvios.
A existência de unidades refrigeradas, portanto, não é suficiente por si só. A operação depende de controles permanentes e procedimentos capazes de preservar a qualidade dos produtos ao longo da cadeia logística. DR
As informações divulgadas sobre a ampliação não especificam a capacidade de refrigeração da unidade, o número de posições destinadas aos medicamentos refrigerados ou os equipamentos utilizados. Esses dados seriam necessários para dimensionar tecnicamente a nova estrutura de cadeia de frio.
Por que Alcochete foi escolhida para receber a expansão
A decisão de ampliar a unidade localizada no sul de Portugal está relacionada à necessidade de aumentar a capacidade operacional da cooperativa.
Segundo o Jornal Económico, a Cooprofar estava se aproximando do limite de suas instalações existentes. Em vez de concentrar toda a expansão em Gondomar, onde está localizada sua sede, a organização decidiu reforçar a estrutura de Alcochete.
A estratégia considera a distribuição geográfica de suas operações.
A cooperativa mantém cinco armazéns, distribuídos entre Gondomar, Macedo de Cavaleiros, Aveiro e Alcochete, com a unidade desta última localidade sendo ampliada pelo projeto atual.
A empresa abastece mais de 1.100 farmácias e possui mais de 700 cooperadores, segundo informações publicadas pela imprensa portuguesa.
Uma rede de armazenagem distribuída regionalmente pode facilitar a organização dos estoques, o planejamento das entregas e o abastecimento de diferentes regiões.
Entretanto, a ampliação de uma unidade não significa automaticamente que haverá redução dos prazos de entrega. O resultado depende da localização dos clientes, da disponibilidade dos medicamentos, da programação das rotas e da eficiência dos processos internos.
O reforço de Alcochete procura ampliar a capacidade de atendimento ao sul do país e oferecer maior flexibilidade à rede logística da cooperativa. Jornal Económico
Crescimento financeiro sustenta o investimento
A expansão ocorre em um período de crescimento dos negócios da Cooprofar.
Os dados divulgados pela cooperativa indicam que o volume de negócios aumentou de € 483 milhões em 2024 para € 544 milhões em 2025.
Volume de negócios da Cooprofar
Valores divulgados para 2024 e 2025.
€0 milhões€150 milhões€300 milhões€450 milhões€600 milhões20242025
O crescimento de aproximadamente 13% superou os 9,7% atribuídos ao mercado farmacêutico no mesmo período, conforme os números reproduzidos pelo Jornal Económico.
A participação de mercado informada pela cooperativa chegou a 13,9%.
Para 2026, a administração declarou esperar um volume de negócios próximo de € 600 milhões. Esse número deve ser interpretado como uma expectativa empresarial, e não como resultado financeiro já realizado.
O investimento também deverá ser financiado principalmente pelo fluxo de caixa gerado pela própria atividade, segundo informações publicadas pelo Jornal Económico. A possibilidade de recorrer a financiamento bancário de longo prazo não foi descartada pela administração.
O crescimento financeiro ajuda a explicar a necessidade de ampliar a infraestrutura, mas também aumenta a importância do controle dos custos e da utilização eficiente dos ativos.
Uma plataforma maior precisa manter equilíbrio entre espaço disponível, ocupação dos estoques, movimentação de mercadorias e demanda dos clientes.
Mais capacidade logística não elimina a falta de medicamentos
A expansão da Cooprofar acontece em um setor que enfrenta desafios relacionados à disponibilidade de determinados medicamentos.
Segundo declarações do presidente da cooperativa reproduzidas pelo Jornal Económico, dificuldades de produção e perturbações nas cadeias internacionais de fornecimento continuam afetando o abastecimento.
Esse ponto merece atenção porque a capacidade logística e a disponibilidade de produtos são fatores diferentes.
Um centro de distribuição pode possuir espaço, equipamentos e sistemas suficientes para armazenar grandes quantidades de medicamentos. Entretanto, se determinado fabricante interromper a produção ou enfrentar problemas no fornecimento de matérias-primas, a ampliação do armazém não será suficiente para eliminar a falta daquele produto.
É importante distinguir três componentes:
- Capacidade logística: espaço físico, equipamentos e processos disponíveis para armazenagem e distribuição.
- Disponibilidade de medicamentos: quantidade de produtos efetivamente fornecida pelos fabricantes e fornecedores.
- Eficiência da distribuição: capacidade de movimentar os produtos disponíveis dentro dos prazos e das condições de conservação exigidas.
A expansão atua principalmente sobre a infraestrutura logística e poderá contribuir para melhorar a distribuição.
A disponibilidade, porém, continua dependendo de fatores externos, como produção farmacêutica, fornecedores internacionais e regularidade das cadeias de abastecimento.
Para as farmácias, o benefício concreto dependerá da integração desses três componentes.
O que acompanhar na conclusão do projeto em 2027
A ampliação da plataforma de Alcochete representa uma aposta em infraestrutura, tecnologia e diversificação comercial.
A inauguração do novo armazém em outubro de 2026 marca uma etapa concreta do empreendimento, mas a conclusão das melhorias tecnológicas e a consolidação dos novos serviços ainda estão previstas para 2027.
Os principais indicadores que merecem acompanhamento são:
- Instalação e entrada em operação dos sistemas de automação e robótica.
- Utilização efetiva da capacidade futura de 13.500 paletes.
- Contratação de fabricantes farmacêuticos para o serviço de pré-armazenamento.
- Receita efetivamente gerada pela nova atividade.
- Evolução da produtividade e dos custos operacionais.
- Desempenho da distribuição e atendimento às farmácias.
O resultado do investimento de € 15 milhões dependerá não apenas da ampliação física, mas da capacidade de transformar a nova infraestrutura em eficiência operacional e crescimento sustentável.
A Cooprofar já concluiu a etapa inaugural da expansão. O próximo desafio será demonstrar, com resultados operacionais e financeiros, os benefícios da automação e da nova frente de negócios para a distribuição farmacêutica portuguesa.
Fontes e referências
1. Jornal Económico — Teresa Cotrim. Cooperativa de farmácias investe 15 milhões para reforçar distribuição de medicamentos. Publicado em 23 de outubro de 2026. Fonte para o investimento, divisão dos recursos, capacidade futura, pré-armazenamento, desempenho financeiro e estratégia empresarial. Consultar reportagem original.
2. Câmara Municipal de Alcochete. Grupo Cooprofar investe na ampliação da Plataforma Logística de Alcochete. Publicação de outubro de 2026. Fonte institucional complementar sobre a inauguração, o investimento e a ampliação física. Consultar comunicado municipal.
3. Diário da República / INFARMED. Deliberação n.º 946/2021, de 13 de setembro. Documento oficial sobre as Boas Práticas de Distribuição de medicamentos para uso humano em Portugal. Consultar legislação oficial.
